Nossa Senhora do Rosário

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sábado, 27 de novembro de 2010

CICLO DO NATAL - TEMPO DO ADVENTO

Incubida por Deus de nos santificar, a Igreja realiza essa missão principalmente pela Liturgia. Culto público, ritos e sacramentos, dias festivos e tempos litúrgicos são outros tantos meios de que se serve para nos unir e assemelhar a Cristo.
Todos os anos, do advento ao pentecostes, nos faz celebrar os principais acontecimentos da vida do Salvador, não como pia recordação, mas como processo de renovação, mercê das graças que cada solenidade nos dispensa. Deste modo, a comunhão ativa nos mistérios de Cristo impregna as nossas almas duma vida cristã autêntica, intimamente ligada à Igreja. O espírito e o sentido destas celebrações litúrgicas são-nos inculcados pela mesma Igreja. Importa, apenas, deixar-se guiar por ela para penetrar no coração do mistério cristão e para aproveitar, em plenitude, a sua eficácia sobrenatural.
No decurso do ano, a celebração dos mistérios de Cristo faz-se em dois ciclos sucessivos: o ciclo do natal e o ciclo da páscoa.
O fim principal do ciclo do natal é lembrar-nos a transformação radical que em nossa vida humana se operou pela encarnação do Verbo. O próprio Filho de Deus não se tornou somente um de nós: deu-nos o poder de nós mesmos nos tornarmos verdadeiros filhos de Deus, um povo novo, uma raça santa, que Ele sustenta com sua vida divina e conduz para o Céu. A encarnação inaugurou na Terra uma economia do espírito, cujas últimas consequências serão a nossa união definitiva com Deus, no além.
É esta transformação que a Igreja celebra no natal. Ela procura mostrar-nos, na humanidade santa do Salvador, a fonte inexaurível de toda a vida sobrenatural e implora, para nós e para todos os homens, a plena realização da obra redentora inaugurada pela sua vinda ao mundo.

TEMPO DO ADVENTO
Do 1º domingo do advento a 24 de dezembro

EXPOSIÇÃO DOGMÁTICA:

Toda a liturgia do advento é um imenso apelo à vinda do Salvador. A Igreja retoma as ardentes súplicas ao messias, que haviam ressoado através do Antigo Testamento, e convida-nos a reperi-las com ela, com fervor que se vai intensificando à medida que se aproxima o natal.
Logo no 1º domingo, um belíssimo responsório de matinas dá o tom a todo o advento. É o profeta Isaías que fala, anunciando ao povo de Israel o messias esperado: "Olhando de longe, eis que vejo Deus, que vem em seu poder, e uma nuvem que cobre a Terra. Ide ao seu encontro e dizei: Diz-nos se és Tu que hás de reinar sobre o povo de Israel. V. Vós todos que habitais a Terra filhos dos homens, ricos e pobres juntamente, ide ao seu encontro e dizei: V Pastor de Israel, Tu que conduzes José com um rebanho, escuta-nos. Diz-nos se és Tu. V Príncipes, arrancai as vossas portas, e vós, portas eternas, levantai-vos e entrará então o Rei da Glória. V Que deve reinar sobre o povo de Israel."
É certo que o Salvador chegou, mas esperamo-Lo ainda. Esperamos, para nós e para o nosso tempo, as suas graças de redenção e santificação, que devem transformar a nossa vida humana e assemelhá-la à sua. Unidos às gerações que hão de suceder-se na terra, esperamos, no fim dos tempos, a vinda gloriosa de Cristo, Redentor do mundo, qua há de introduzir os eleitos no reino de seu Pai. É toda a obra de Cristo, até em seus ecos mais longínquos, que a Igreja evoca à luz dos textos da revelação.
O messias esperado é o rei não somente de Israel - seu povo - mas de todas as nações. É o próprio Filho de Deus, feito homem para salvar todos os homens e para os levar consigo para o reino do Pai. Àqueles que o acolherem na terra como Salvador dirá um dia: "Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do reino para vós preparado desde a criação do mundo."
As perspectivas do advento são, portanto, imensas. A Igreja põe-nos diante dos olhos toda a obra da Redenção. À medida que as gerações se sucedem, vai-se dilatando o reino de Deus, até ao dia em que Jesus Cristo congregará dos quatro pontos cardiais os seus eleitos, os apresentará ao Pai como conquista sua e os introduzirá no Reino.
Façamos votos por esta dupla vinda: vinda de graça para a vida presente; vinda de glória, para o além. A Encarnação do Senhor é a fonte de toda esperança cristã. Preparando-nos para a celebrar, a Igreja convida-nos a trabalhar no alargamento do seu reino, na expectativa e invencível esperança da sua segunda vinda. O tempo de espera que nos separa da realização final é concedido à Igreja para anunciar até aos confins da terra a boa nova da salvação.
A liturgia do tempo tem por fulcro três grandes figuras: Isaías, São João Batista, a Santíssima Virgem Maria. Através das suas missões providenciais desenrola-se a maravilhosa evocação da preparação divina - imediata e longínqua - da salvação que Deus tinha prometido desde a queda dos nossos primeiros pais.
Isaías é o grande profeta do advento. Desde o século VIII, no momento mais patético da história do povo judeu, ele quer que se confie só em Deus e que se espere a salvação do messias que está prestes a chegar. Depois dum exílio cruel, o messias há de salvar os restos do povo de Israel,fará reinar na Terra a paz e justiça e divulgará entre as nações o conhecimento do verdadeiro Deus.
João Batista, o último dos profetas e a primeira das testemunhas da chegada do messias, aponta-nos Cristo e impele-nos para Ele: "Eis o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo." Urge fazer penitência e converter-se.
Finalmente a Virgem Maria, a Mãe do Salvador, na qual o mistério da graça se realiza com uma plenitude sem igual, antes de se estender ao resto dos homens. Pela sua fé, pela sua aquiescência aos desígnios de Deus a seu respeito ela personifica a espera e o acolhimento da Igreja.
Que os ardentes desejos do grande profeta, as exortações do precursor, e a intercessão da Santíssima Virgem nos preparem para celebrar o nascimento do Salvador, com o amor ardente que os extasiava perante a realização do plano divino de salvar o mundo.

NOTAS DE LITURGIA
O advento, que inicialmente contava cinco domingos na liturgia romana, conta, agora, apenas quatro: isto é, três semanas completas, que se contam a partir do domingo mais próximo da festa de Santo André (30 de novembro) e os dias que vão do quarto domingo a 24 de dezembro.
Na Idade Média, o tempo do advento, preparação do natal, tomou um caráter de penitência, à imitação da quaresma, preparação para a páscoa. Este espírito de penitência manifesta-se ainda nalguns textos e em certos usos: paramentos roxos, ausência de flores nos altares, silêncio do órgão, supressão do Gloria. Mas o canto do Alleluia, que se manteve sempre aos domingos, indica bem que o advento quer permanecer um tempo de alegria. Era-o exclusivamente nos seus primórdios; voltou a sê-lo desde a notável redução do jejum.
Esta alegria da salvação iminente vai-se intensificando, à medida que nos aproximamos do natal. No terceiro domingo, o altar ornado de flores, os paramentos cor de rosa e as melodias do órgão sublinham bem o júbilo crescente. Refulge nas antífonas maiores, cantada ao som dos sinos, nos últimos oito dias que precedem a grande festa do nascimento do Salvador. E a vigília do natal é já toda ela uma exultação.

RUBRICAS
1. Todos os domingos são de 1ª classe. Em caso de ocorrência, têm preferência sobre toda e qualquer festa, com exceção da festa da Imaculada Conceição.
2. As férias (dias de semana) do advento, a partir de 17 de dezembro, e as férias das quatro-têmporas são de 2ª classe. São preferidas às festas particulares de 2ª classe. As férias do advento até 16 de dezembro são de 3ª classe. Se forem impedidas, devem ter comemoração.
3. Durante a semana, não ocorrendo festa de dignidade superior, a missa do dia é a da féria: missa do domingo precedente, exceto nas quatro-têmporas, sem Gloria, nem Alleluia, nem Credo, e com o prefácio comum.
4. As quatro-têmporas celebram-se durante a terceira semana. A epístola é precedida de uma leitura na quarta-feira das quatro-têmporas, e de cinco no sábado das mesmas. Cada uma delas é precedida de uma Collecta. É pela primeira Collecta que se faz a comemoração destas férias, no caso de serem impedidas, e é depois da última que se coloca qualquer comemoração a fazer.
5. Nas missas do tempo, usam-se paramentos roxos.

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